Café solúvel forte e aquecido

Setor registra investimentos e aquisições, retorna à rota de crescimento nas exportações e busca maior espaço no mercado brasileiro

Anuário Brasileiro do Café 2019

O ano de 2018 foi um dos mais marcantes para o setor no País, na avaliação da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). Isto porque houve “significativa recuperação das exportações e o anúncio de vários novos investimentos de ampliação da produção nacional do produto”. A entidade e suas indústrias associadas definiram “ousada meta”, em 2016, de crescer, em 10 anos, 50% nas exportações, além de terem o desafio de aumentar o consumo interno, ainda restrito a 5% do volume geral, enquanto em nível mundial atinge 25% e cresce 3% ao ano.

Depois de ter batido recorde na venda externa em 2016, o produto brasileiro solúvel teve forte recuo em 2017 por falta de matéria-prima, basicamente do café conilon, devido a quebras de safras geradas por crise hídrica. Já em 2018, com maior produção, houve crescimento de 6% no volume exportado, embora o faturamento tenha diminuído (em torno de 7%), em virtude dos preços menores no mercado internacional. Os principais destinos do café solúvel nacional no ano foram Estados Unidos, Rússia, Japão, Indonésia e Argentina. No total, foram 107 os países importadores.

Ainda no início do ano, a Abics assinou convênio com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), dentro das ações de ampliação do mercado internacional. Neste sentido, estão previstas negociações de barreiras tarifárias, bem como lançamento da marca institucional “Instant Coffee Brazil” e de banco de dados disponível ao mundo, com ferramentas de inteligência competitiva. Para o mercado interno, também será apresentado plano de divulgação, promoção e marketing, a partir de informações reunidas pela associação.

A entidade, presidida por Pedro Guimarães Fernandes, em seu relatório referente a 2018 ressaltou “novos e grandes investimentos anunciados por três grandes empresas do setor”. Entre essas iniciativas, a Companhia Iguaçu, de Cornélio Procópio (PR), pertencente ao grupo Marubeni Corporation Japan, anunciou Venda externa foi recuperada em 2018 e reforça ousadas metas e aquecido Café solúvel registra investimentos e aquisições, retorna à rota de crescimento nas exportações e busca maior espaço no mercado brasileiro em abril, com previsão de operar em 2020, a ampliação da capacidade de produzir o solúvel “freeze dried”, de alto valor agregado e com tendência de crescer 6% ao ano no mundo.

Já a exportadora Olam Coffee, originária de Singapura e que opera em Espírito Santo desde 2005, conforme informou em outubro, deve investir US$ 130 milhões para construir fábrica no Estado, a operar, se possível, ainda em 2020. E no final de 2018, com a mesma previsão de operação, a maior exportadora de café solúvel no País, a companhia Cacique, de Londrina (PR), comunicou decisão de implantar nova fábrica completa de café instantâneo em Linhares (ES).

AMPLAS OPORTUNIDADES

Por outro lado, durante o ano de 2018 ocorreram aquisições no setor, que, na avaliação da Abics, aqueceram o mercado de solúveis. Marcas da Iguaçu foram adquiridas pela maior indústria de café torrado do Brasil, a Três Corações, e da Cacique pela então segunda maior indústria de torrado do País, a JDE. Ainda foram reforçadas ações conjuntas das áreas de café solúvel e torrado, bem como reiteradas “as amplas oportunidades” existentes no mercado interno, além do internacional.

No plano externo, um dos aspectos ressaltados pela Abics é de que ainda existe empecilho do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que precisaria ser corrigido com reforma tributária. O setor reclama de demora e burocracia no reconhecimento de créditos pelos Estados-sede das indústrias, além de elevados deságios na venda desses créditos a empresas interessadas. “Ganhos de competitividade e aumentos significativos de exportações poderiam acontecer caso não existissem os impactos danosos desse imposto”, sublinha a associação.

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