Produtos de maior valor agregado terão redução de tarifas mais lenta que café verde e itens básicos
por Gustavo Silva – AMADO MUNDO
Para a indústria brasileira de café, o acordo entre Mercosul e União Europeia é um avanço enorme na abertura do mercado europeu, mas deixa um “gosto amargo” no segmento em que o setor mais tenta conquistar espaço: o de maior valor agregado.
Levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) mostra que extratos e concentrados, base do solúvel, hoje taxados em 9%, terão a tarifa zerada em quatro anos. Já as preparações à base desses extratos, com alíquota de 11,5%, só chegam a zero no sétimo ano. Produtos mais elaborados, como misturas com açúcar, seguem com componentes de taxação por até uma década. Na outra ponta, o café verde, principal item exportado pelo Brasil, já entra na Europa com tarifa zero, e itens menos processados dentro da cadeia têm liberalização mais rápida.
Para representantes do setor ouvidos pela coluna, a abertura amplia o potencial de exportação, mas não muda, no curto prazo, a posição dos produtos mais elaborados, que seguem sujeitos a prazos mais longos e condições específicas de acesso.
Em 2025, a União Europeia foi o segundo principal destino do café solúvel brasileiro, com 642 mil sacas exportadas e cerca de R$ 910 milhões em receita, segundo a Abics. A entidade projeta crescimento superior a 35% nos embarques ao bloco em cinco anos, à medida que as tarifas forem sendo reduzidas.

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