{"id":8286,"date":"2026-04-30T12:16:33","date_gmt":"2026-04-30T15:16:33","guid":{"rendered":"https:\/\/abics.com.br\/?p=8286"},"modified":"2026-04-30T12:19:05","modified_gmt":"2026-04-30T15:19:05","slug":"acordo-mercosul-ue-abre-mercado-mas-impoe-desafios-distintos-para-cafe-e-frutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abics.com.br\/es\/acordo-mercosul-ue-abre-mercado-mas-impoe-desafios-distintos-para-cafe-e-frutas\/","title":{"rendered":"Acordo Mercosul-UE abre mercado, mas imp\u00f5e desafios distintos para caf\u00e9 e frutas"},"content":{"rendered":"\n<p>Enquanto o caf\u00e9 sol\u00favel avan\u00e7a com cronograma e exig\u00eancias ambientais, frutas ganham espa\u00e7o mais r\u00e1pido no mercado europeu.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/agronegocio\/acordo-mercosul-ue-abre-mercado-mas-impoe-desafios-distintos-para-cafe-e-frutas\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/agronegocio\/acordo-mercosul-ue-abre-mercado-mas-impoe-desafios-distintos-para-cafe-e-frutas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Por Beatriz Gunther &#8211; Canal Rural<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O agroneg\u00f3cio brasileiro est\u00e1 cada vez mais perto de acessar o mercado europeu. Isso porque o acordo entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia entra em fase de implementa\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria a partir desta sexta-feira, 1\u00ba de maio. Foram mais de duas d\u00e9cadas de negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse primeiro momento, o foco ser\u00e1 exclusivamente no\u00a0<strong>Pilar Comercial<\/strong>, permitindo a redu\u00e7\u00e3o imediata de tarifas sem esperar a aprova\u00e7\u00e3o individual de todos os 27 parlamentos europeus. \u201cO instrumento que entra em vigor tem nome pr\u00f3prio: Acordo Interino de Com\u00e9rcio\u201d, explica Daniel Vargas, professor da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV).<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista destaca tamb\u00e9m que o benef\u00edcio tarif\u00e1rio n\u00e3o garante a venda autom\u00e1tica. \u201cO acordo abre a porta tarif\u00e1ria, mas a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/eudr\/\">EUDR<\/a>\u00a0(Regulamento da Uni\u00e3o Europeia para Produtos Livres de Desmatamento, na sigla em ingl\u00eas) exige o passe de entrada\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Vargas, o sucesso da nova janela comercial vai depender da capacidade do produtor brasileiro de comprovar sua sustentabilidade na pr\u00e1tica, especialmente no caso do caf\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTalvez seja o grande desafio do setor cafeeiro nos pr\u00f3ximos 18 meses\u201d, afirma. Para as frutas, ele prev\u00ea que a menor press\u00e3o regulat\u00f3ria pode permitir uma captura mais r\u00e1pida dos benef\u00edcios, desde que superados os desafios sanit\u00e1rios e log\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caf\u00e9 sol\u00favel: avan\u00e7o gradual e press\u00e3o regulat\u00f3ria<br><\/strong>De um lado, oportunidades de mercado; de outro, efeitos que variam de setor para setor. No caso do caf\u00e9 sol\u00favel, o acordo prev\u00ea um cronograma de desgrava\u00e7\u00e3o \u2014 termo t\u00e9cnico utilizado \u2014 ao longo de quatro anos. J\u00e1 no primeiro per\u00edodo, h\u00e1 um abatimento inicial de 1,8 ponto percentual. Atualmente, a tarifa sobre o produto \u00e9 de 9%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Aguinaldo Jos\u00e9 de Lima, diretor executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Caf\u00e9 Sol\u00favel&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/abics\/\">(Abics)<\/a>, o movimento tende a recuperar espa\u00e7o perdido pelo Brasil no mercado europeu. \u201cH\u00e1 15 ou 16 anos o Brasil vendia 30% a mais para a Uni\u00e3o Europeia do que comercializa hoje\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o bloco responde por cerca de 20% a 22% das exporta\u00e7\u00f5es do setor, com volume pr\u00f3ximo de 16 mil toneladas anuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a avalia\u00e7\u00e3o da entidade \u00e9 de que, mesmo em fase provis\u00f3ria, o acordo j\u00e1 gera impacto positivo. Lima destaca que as empresas associadas foram orientadas previamente e est\u00e3o em negocia\u00e7\u00e3o com clientes europeus, que passaram a demandar informa\u00e7\u00f5es sobre o novo cen\u00e1rio tarif\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa \u00e9 de crescimento gradual das exporta\u00e7\u00f5es \u00e0 medida que a tarifa for reduzida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/abics.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8291\" srcset=\"https:\/\/abics.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-3.png 1024w, https:\/\/abics.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-3-300x200.png 300w, https:\/\/abics.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-3-768x512.png 768w, https:\/\/abics.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-3-600x400.png 600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem gerada por IA para o Canal Rural<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Frutas: ganho mais direto e cen\u00e1rio misto<br><\/strong>No setor de frutas, o impacto do acordo tende a ser mais imediato, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, ter\u00e3o tarifa zerada j\u00e1 na entrada em vigor do acordo, enquanto outras seguir\u00e3o cronogramas de redu\u00e7\u00e3o ao longo de quatro, sete ou at\u00e9 dez anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Waldyr Promicia, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/abrafrutas\/\">(Abrafrutas)<\/a>, o cen\u00e1rio \u00e9 misto, mas positivo. \u201cDepende da fruta. H\u00e1 produtos com tarifa zero imediata e outros com cronograma de desgrava\u00e7\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, ainda \u00e9 cedo para estimar n\u00fameros consolidados, mas a tend\u00eancia \u00e9 de aumento da competitividade e da abertura de novas oportunidades no mercado europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como no caf\u00e9, o setor j\u00e1 iniciou o processo de adapta\u00e7\u00e3o. A Abrafrutas orienta exportadores sobre ajustes na documenta\u00e7\u00e3o e nos requisitos exigidos pelos compradores europeus. A leitura \u00e9 de que o acordo representa um avan\u00e7o estrat\u00e9gico nas rela\u00e7\u00f5es comerciais e pode impulsionar o crescimento das exporta\u00e7\u00f5es no m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Janela de oportunidade com desafios estruturais<\/strong><br>Para Vargas, a redu\u00e7\u00e3o de tarifas amplia o acesso, mas a consolida\u00e7\u00e3o da competitividade brasileira no mercado europeu depender\u00e1 de ajustes internos, da organiza\u00e7\u00e3o de dados e da adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias do bloco. \u201cN\u00e3o \u00e9 um problema de produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 um problema de arquitetura de conformidade\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>A leitura geral, segundo o especialista, \u00e9 que o \u201c1\u00ba de maio inaugura uma janela tarif\u00e1ria, mas n\u00e3o inaugura, sozinho, uma nova era de competitividade com o bloco europeu.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto destacado pelo professor da FGV \u00e9 que a parte ambiental do acordo mais amplo segue em suspenso. Segundo ele, \u00e9 como se o \u201cacordo entrasse em vigor com for\u00e7a total\u201d, o que limita a capacidade de pa\u00edses cr\u00edticos ao acordo de interferir na redu\u00e7\u00e3o de tarifas no curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs pa\u00edses que s\u00e3o cr\u00edticos ao acordo [como Fran\u00e7a], est\u00e3o com m\u00e3os atadas. N\u00e3o podem mais interferir na parte comercial\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto o caf\u00e9 sol\u00favel avan\u00e7a com cronograma e exig\u00eancias ambientais, frutas ganham espa\u00e7o mais r\u00e1pido no mercado europeu. Por Beatriz Gunther &#8211; Canal Rural O agroneg\u00f3cio brasileiro est\u00e1 cada vez mais perto de acessar o mercado europeu. 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